Detido em Maputo empresário ligado a megaprocesso de branqueamento de capitais


Hussen Gulam Mahomed chegou dos Emirados Árabes Unidos e foi detido no Aeroporto de Maputo

As autoridades moçambicanas detiveram, esta sexta-feira (11 de Julho), no Aeroporto Internacional de Maputo, o empresário Hussen Gulam Mahomed, um dos principais arguidos num megaprocesso em curso no país, relacionado com branqueamento de capitais, fraude fiscal e falsificação de documentos.

Segundo fonte ligada ao processo, Hussen foi detido logo após chegar dos Emirados Árabes Unidos, país para onde tinha fugido, sendo arguido no processo 3/GCCCOT/22, investigado pelo Gabinete Central de Combate à Criminalidade Organizada e Transnacional do Ministério Público moçambicano, no âmbito da operação “Stop Branqueamento de Capitais”.


Hussen Gulam Mahomed é acusado de criar empresas de fachada em Moçambique, usadas para transferir avultadas somas de dinheiro para paraísos fiscais, alegando compras de bens para importação que nunca entraram no país, causando prejuízos ao Estado moçambicano através de evasão fiscal.

De acordo com a mesma fonte citadas pela RTP, o arguido contava com o auxílio de despachantes aduaneiros, advogados e técnicos de bancos comerciais para falsificar documentos e facilitar a exportação ilegal de capitais.

“Tal como os seus irmãos, Hussen era uma peça-chave nas operações de branqueamento de capitais, construindo impérios em Nacala, Nampula e Maputo através de empresas de fachada criadas especificamente para este esquema,” avançou a fonte.


Hussen é irmão de Norolamin Gulam, atualmente detido nos Estados Unidos da América por suspeita de tráfico internacional de drogas, e que também é arguido no mesmo processo em Moçambique. No total, o processo conta com mais de 60 arguidos, entre indivíduos, despachantes, técnicos bancários e as próprias empresas de fachada.

No âmbito desta investigação em curso, o Ministério Público moçambicano já apreendeu 32 imóveis, viaturas de luxo e valores monetários na posse dos arguidos, na tentativa de recuperar parte dos valores desviados através deste esquema de branqueamento de capitais e fraude fiscal.

Hussen Gulam Mahomed deverá ser apresentado em breve ao juiz da Instrução Criminal para a legalização da sua detenção, enquanto o Ministério Público prossegue as investigações para responsabilizar todos os envolvidos e recuperar os bens do Estado.


Este caso é considerado um dos maiores processos de combate ao branqueamento de capitais em Moçambique nos últimos anos, num contexto em que o país procura reforçar os mecanismos de rastreio de fluxos financeiros ilícitos e combater crimes económicos que têm impacto directo na economia e na confiança das instituições.


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